Uma transição difícil

domingo, junio 08, 2008

Clubes e seleções sempre passam por períodos de transição, que podem ser mais ou menos dolorosos, mais ou menos duradouros. A definição de um novo padrão de jogo, de jogadores que se encaixem na filosofia empregada e a conquista de novas vitórias depende de um bom planejamento, da capacidade de suportar crises e de uma boa dose de sorte.
A seleção brasileira vive esse período de transição. Luiz Felipe aproveitou bem o que tinha de melhor a geração de 98, passou por cima dos fracasso e conseguiu colocar jogadores que correspondessem às exigências. Com isso chegou à conquista do Mundial em 2002. Em 2006 Parreira acreditou demais na capacidade do time e perdeu o foco. O resultado foi um desempenho pífio na Alemanha. Estava instalado um novo período de transição, diante da insuficiência provada na Copa do Mundo
Agora, Dunga, um técnico iniciante, tenta definir um novo grupo capaz de vencer a Copa de 2010. Entretanto, nem mesmo o título da Copa América parece indicar que o trabalho de Dunga efetivamente trará melhores resultados, como foi possível ver nesses amistosos feitos nos EUA.
A atuação brasileira foi muito fraca tanto contra o Canadá quanto contra a Venezuela. A defesa falhou de forma infantil nas duas partidas e Dunga sequer manteve a mesma escalação nos jogos, o que se imaginaria ser o mais adequado se o objetivo é trabalhar com um grupo que se considera titular. Pelo que se viu, Dunga mostrou muito mais suas dúvidas do que suas convicções, ao entrar com equipes totalmente diferentes em partidas realizadas em espaço de tempo tão curto.
Não se pode admitir que um treinador faça tantas modificações na equipe, ainda que o objetivo seja o teste. Dunga já fez vários jogos com a seleção, foi campeão da Copa América e isso já seria o suficiente para que ele tivesse uma base de jogadores titulares e reservas imediatos para jogadores como Kaká, Lúcio e Juan.
Por outro lado, ao mudar totalmente o time Dunga acaba por queimar os jogadores que entram. É muito melhor para um novo talento ingressar em um time que já joga junto do que entrar com outros sete ou oito que também estão querendo mostrar serviço. A adaptação de um ou dois ao grupo existente é mais fácil do que a consolidação de um padrão de jogo para o grupo inteiro. Isso até treinador de futebol amador sabe.
Com suas dúvidas profundas, Dunga vai queimando jogadores.Daniel Alves não empolgou, a defesa afundou no seu mau posicionamento e Anderson ficou perdido e violento na sua posição de segundo volante em um time desentrosado. Além disso, Pato foi tímido e parece que vai precisar de mais tempo para amadurecer a idéia de jogar na seleção.
Em suma, não se vê qualquer padrão de jogo na seleção brasileira, faltando dois anos para a Copa. Não bastassem as dúvidas do técnico, há ainda outro problema considerável: não se consegue ver no grupo de jogadores lideranças significativas, capazes de vestir a amarelinha e dar personalidade ao time. Talvez o único que tenha conseguido mostrar esse diferencial até agora tenha sido Robinho, que foi muito bem na Copa América.

Imagem: www.globo.com



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1 Caños hechos:

Tigre 007 dijo...

Bem por Venezuela, joga bem, mas é um jogo amistoso o resultado é do menos, o importante é ganhar na jogos do campeonatos.

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